A Feira D., evento que reúne moda, design, arte e gastronomia no Espaço Manauara Cultural, contou com a participação de talentos formados e em formação pela Faculdade Santa Teresa (FST), em parceria com o Amazon Poranga Fashion.
Da Belle Époque manauara ao Inferno de Dante
Entre os destaques está a egressa Nabila Lopes, que participou pela segunda vez de uma exposição fruto da parceria entre a FST e o Amazon Poranga, mas pela primeira vez como expositora na Feira D. Sua peça, intitulada “Dante”, integra a coleção D’us Infernus e foi inspirada na obra A Divina Comédia, de Dante Alighieri.
“Usei como referência a Belle Époque manauara, fazendo alusão às óperas e à arquitetura do Teatro Amazonas. Essa peça carrega não apenas um conceito estético, mas também histórico e cultural”, explicou Nabila.
Recém-formada, a estilista avalia que a parceria e a feira representam uma vitrine fundamental para criadores da região.
“A cena da moda no Norte ainda é pouco conhecida em outras regiões do Brasil, mas aqui temos muitos estilistas e criativos que usam a moda como forma de expressão e identidade. Na faculdade, aprendi a trabalhar minha criatividade e identidade por meio das roupas. A Feira D., mesmo sendo recente, já atinge grande proporção, com 90% das marcas participantes vindas de Manaus e do Amazonas. Isso é muito importante porque gera oportunidades e visibilidade dentro e fora da cidade”, destacou.
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Moda autoral com identidade amazônica
Para a finalista do curso, Ana Beatriz Rocha, eventos como a Feira D. têm papel decisivo na valorização da moda autoral e na projeção de novos talentos.
“Muitas vezes, os criativos da Amazônia são subestimados ou pouco divulgados. Iniciativas assim mostram que temos um potencial único, com narrativas, referências e técnicas que só existem aqui. É também uma forma de incentivar novos criadores, fortalecer a economia criativa local e reafirmar a Amazônia como um polo cultural e de inovação”, afirmou.
Ana Beatriz também compartilhou detalhes do seu processo criativo, que uniu pesquisa e execução.
“Participei de todas as etapas: da pesquisa histórica e cultural ao desenvolvimento das modelagens e acabamentos. Transformei uma narrativa local a arquitetura manauara, em moda. Cada material, cor e forma foi escolhido para transmitir uma mensagem. Ver essa ideia ganhar vida e ser admirada na Feira D. é extremamente gratificante”, concluiu.




