Começo parabenizando as mulheres pelo seu dia, as executivas, as professoras, as lixeiras, as balconistas, as do lar, todas elas. Historicamente, muitas mulheres foram e são reconhecidas pelos seus feitos em vários aspectos, seja no campo político, religioso, social, educacional, humanitário. Elas vibram por cada conquista. As mulheres buscam uma sociedade mais igualitária. Algumas são lembradas, como Joana d’Arc, Madre Teresa, Indira Gandhi, Anita Garibaldi, Paraguaçu – índia Tupinambá, Chiquinha Gonzaga, Tarsila do Amaral, Malala yousafzai, Greta Thunberg, dentre outras.

No ano de 1960 o movimento feminista crescia e só em 1975 que foi comemorado oficialmente o Ano Internacional da Mulher. Em 08 de Março de 1977 foi reconhecido oficialmente pelas nações unidas. Esse advento trouxe várias mudanças no papel psicossocial da mulher, na vida doméstica, a luta para garantir direitos iguais entre sexos e a divisão de papéis.

As mulheres foram conquistando o seu espaço junto ao sexo masculino, mesmo com tantas novas atribuições e responsabilidades nesse novo cotidiano, ela se insere em vários campos do saber, se apropria e deixa sua marca no mercado de trabalho, busca sua independência financeira, o direito político, a liberdade sexual, a liberdade de ir e vir, de ser quem ela quiser ser. Todas conquistas adquiridas até aqui, possibilitaram que saíssem de uma posição de reprodutora e cuidadora (de casa, marido, da educação dos filhos), e foi em busca de sua própria história. Hoje, as mulheres podem fazer escolhas, buscar prioridades, ter autonomia.

Apesar dessa revolução social e cultural em relação a transformação de seu papel, a sociedade ainda tem como base, na maior parte do tempo, a “mulher dona de casa. Talvez o seu maior desafio nos dias de hoje é conseguir manter o seu trabalho e conciliar com as suas outras obrigações, o cuidado do lar e a educação dos filhos, muitas vezes, tendo uma dupla ou tripla jornada de trabalho.

E quanto ao cenário atual, o que mudou para a mulher? Ela precisou se reinventar, muitas trabalhando em home-office, cuidando dos filhos e de seus parceiros, cuidando da organização da casa, quase tudo ao mesmo tempo, tendo que lidar com as adversidades.

A ansiedade, a angustia, o medo do amanhã, a impotência diante da doença- Covid-19, e muitas violências (violência doméstica, física, sexual e/ou moral) passaram a fazer parte da vida de muitas mulheres de forma mais frequente, e novamente, precisaram tomar decisões, buscar novos rumos, se tornar resiliente, procurar por ajuda e se tornar protagonista de sua história.

Por todos esses motivos, embora o papel da mulher na sociedade venha se tornando cada vez mais significativo e maior na sociedade, se impondo diante de uma cultura machista, ainda existem muitos desafios a serem enfrentados. É necessário combater a cultura machista, mas isto não significa brigar com os homens ou fazer uma “guerra”.

É melhorar o acesso das mulheres em todos os lugares por onde ela passa, nos postos de trabalho, nos cargos elegíveis, promover melhores salários, dar o direito da mulher sobre o seu próprio corpo e sobre o direito de ir e vir, além de efetivar a proteção de mulheres ameaçadas e violentadas todos os dias.

*A autora é psicóloga, especialista em Saúde Pública pela Fiocruz, mestre em Psicologia pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e coordenadora do Curso de Psicologia da Faculdade Santa Teresa

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