27 de agosto: quando a Psicologia ganhou um lugar na sociedade
Dia 27 de agosto nos convida a lembrar de 1962, quando a Psicologia foi oficialmente reconhecida como profissão no Brasil. Mais do que regulamentar uma atividade profissional, aquele momento marcou o reconhecimento de um novo campo de conhecimento, cuidado e responsabilidade diante da experiência humana.
Como coordenador de um curso de Psicologia, penso especialmente no desafio de formar profissionais que terão a responsabilidade de se aproximar daquilo que há de mais íntimo, vulnerável e, muitas vezes, difícil de dizer na vida de alguém. A formação em Psicologia vai muito além de técnicas e conhecimentos. É também aprender a olhar para o outro, escutar sem transformar imediatamente aquilo que se ouve em diagnóstico ou conselho, reconhecer limites e acolher o sofrimento com responsabilidade.
Teorias, instrumentos e métodos podem ser ensinados. Mas a maturidade para escutar, reconhecer o próprio impacto e agir com ética é construída ao longo do tempo: com estudo, supervisão, prática, reflexão, erros e acertos.
Por isso, nesta data, penso não apenas nos psicólogos que já exercem a profissão, mas também nos estudantes que estão construindo, diariamente, os profissionais que serão. Estágios, supervisões, primeiras entrevistas, simulações e experiências na clínica-escola são momentos em que a profissão começa a ganhar forma.
Talvez uma das maiores lições da formação em Psicologia seja esta: não formamos profissionais que têm respostas para tudo, mas pessoas capazes de fazer perguntas melhores, reconhecer a complexidade humana e lidar, com responsabilidade, com aquilo que ainda não pode ser respondido.
Aos nossos estudantes, professores e egressos, deixo, neste 27 de agosto, mais do que um aplauso, trago um lembrete:
Exercer a Psicologia é assumir uma enorme responsabilidade, mas também um privilégio singular: O de ser, para alguém, um espaço em que é possível falar, pensar e existir sem precisar esconder aquilo que dói. Que nunca nos esqueçamos do tamanho dessa responsabilidade.
Nei Lopes
Psicólogo e Neuropsicólogo Clínico
CRP 20/11.805
Coordenador do Curso de Psicologia
Faculdade Santa Teresa


