
Historicamente falando, por muito tempo, e ainda hoje, a sociedade tinha o edifício hospitalar como um local de doença, morte, angústia e perda… Entretanto, segundo Ronald de Góes, autor do “Manual prático da arquitetura hospitalar”, a palavra hospital vem do latim hospitalis, adjetivo que significa “ser hospitaleiro, acolhedor, que hospeda”; derivado de hospes, que quer dizer hóspede, estrangeiro, viajante. Durante a Idade Média, o hospital serviu basicamente para hospedar doentes, viajantes e pobres. Nesse período, essas instituições serviam basicamente como asilo, tendo por objetivo somente o isolamento de pessoas doentes ou pobres do convívio com o restante da sociedade, evitando, desta forma, riscos sociais e epidemiológicos-aqui na nossa região tem os como exemplo o “Leprosário da Vila de Paricatuba”, hoje, as ruínas situadas no município de Iranduba/Amazonas.
A concepção do hospital como local de tratamento é do século 18, com o Iluminismo e a Revolução Industrial. O acadêmico de arquitetura e urbanismo estuda tais equipamentos, dentre outros, no pré urbanismo, nas disciplinas teóricas de história da arquitetura e urbanismo. A especialização das ciências e a ampliação dos conhecimentos neste período contribuíram para a busca do melhoramento das condições sanitárias, tendência que foi intensificada ao longo do século 19. Logo, é no século 18, por volta de 1770,quandoa doença passa a ser reconhecida como fato patológico e que o hospital se torna um instrumento de cura.
A percepção deste equipamento como componente integrante do processo da cura leva a uma progressiva especialização de seus espaços, na sua arquitetura. Questões relativas à distribuição espacial de seu programa e de seus fluxos tornam-se, paulatinamente, as de resolução mais prementes na prática projetual da arquitetura hospitalar. Essa preocupação inicia-se no século 18, com o simples combate à superlotação de leitos, chegando ao final do século 19 com a ampliação significativa da área ocupada pelas edificações- exemplo, aqui em nossa cidade, Manaus, foi a Santa Casa de Misericórdia e a Beneficente Portuguesa.
O edifício hospitalar passa, então, a ser organizado segundo os usos (especialização) de áreas internas, baseada em atividades de cuidados aos pacientes.
Entretanto, a partir de meados do século 20, o crescente interesse da sociologia e da antropologia pela saúde e pela doença – e as críticas que essas disciplinas desenvolvem à abordagem estritamente biológica desses conceitos – permitiram que o foco da discussão sobre os espaços hospitalares fosse renovado.
Sob sua influência, organizaram-se movimentos que buscaram reformas sanitárias em diversos países, incluindo, o Brasil. As críticas à exclusão social promovida através da medicina hospitalar não são, no entanto, resolvidas apenas com a ampliação da saúde preventiva. Houve um consenso de que é preciso renovar os espaços hospitalares e, nesse contexto, sua humanização aparece como solução para o impasse.
Ao final do século 20, exige-se que a “arquitetura da cura”, nascida no final do século 18, torne-se humana. E qual o seu significado?
Significa que a arquitetura humanizada dita uma nova forma de ver os ambientes físicos como parte do processo terapêutico. Espaços que influenciam diretamente na recuperação dos pacientes, mas também definem a forma como todos os utilizadores se comportam. Sejam eles os profissionais de saúde, os pacientes ou os seus acompanhantes.
Quando vivenciamos esses recintos hospitalares do século 21, não como arquitetos e urbanistas, e sim como acompanhantes, pacientes, temos a percepção equilibrada, enquanto técnicos da arquitetura e do urbanismo e agentes sociais, que os ambientes devem ser alegres, agradáveis, arejados, com cores claras, que proporcionem ao paciente, ou aos seus acompanhantes e aos profissionais da saúde, o bem-estar, e onde possam passar a tranquilidade.
O respeito às pessoas, a atenção aos pacientes, as relações interpessoais fazem parte e são importantes nessas edificações da saúde. É importante ouvir o que eles têm a dizer, conversar com as famílias e depois informá-los sobre a equipe médica que também lhes dará apoio.
Que possamos refletir nas possíveis melhorias, enquanto arquitetura, ações e suas relações sociais [relações interpessoais), nesse
“novo normal” pós pandemia COVID 19, onde os edifícios de saúde são tão importantes, independentes de pandemia.
MelissaToledo
Arquiteta e Urbanista, Professora e Coordenadora da Faculdade Santa Teresa e Colaboradora da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas







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