
O termo se refere a um ato nocivo de violência física ou psicológica, intencional e repetitivo contra a vítima
Passam-se os anos e, infelizmente, o bullying ainda é um assunto que não sai do radar dos pais, familiares, educadores e profissionais da psicologia. De acordo com os dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) de 2018, 29% dos estudantes brasileiros relataram terem sofrido bullying. Por isso, é necessário ter entendimento para que o tema possa ser discutido claramente e, mais ainda, para que os pais consigam identificar se seus filhos sofrem com o problema.
De acordo com a psicóloga e psicanalista, professora do curso de Psicologia da Faculdade Santa Teresa, Suky Ramalho, o bullying é muito mais do que uma simples brincadeira ou implicância entre colegas e amigos de classe. Para compreendermos melhor essa diferença, é importante saber o conceito deste termo.
“O bullying pode ser entendido como todo ato de violência física ou psicológica, intencional e repetitivo contra a vítima, sem que haja um motivo aparente. O bullying não é brincadeira. A diferença está no tratamento e na balança de poder. No bullying há uma relação desigual entre o agressor e a vítima, ou seja, somente o agressor está se divertindo”, explicou Ramalho.
Identificando o problema
Segundo a educadora e psicopedagoga Sueli Conte, diretora e mantenedora do Colégio Renovação, para identificar se uma criança sofre com uma das práticas acima, é primordial observar seu comportamento. “Normalmente, a criança que sofre bullying sai da escola infeliz, cabisbaixa e quando os pais perguntam se está tudo bem, a resposta é sempre positiva. Mas, no geral, a criança fica mais calada, contida, se torna agressiva ou mais introvertida. Claro, isso depende de cada criança”, alertou Conte.
Conte destaca que, além disso, outros fatores podem estar presentes no comportamento de quem sofre o bullying como, choros por motivos banais ou brigas em casa, sem motivos aparentes, até mesmo, algum tipo de agressão às pessoas que mais gosta. “Trata-se de uma forma de se vingar em outras pessoas, já que não consegue fazê-lo na escola ou com aqueles que estão praticando o bullying com ele”, disse.
Além do ambiente escolar
A média da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) é de 23% e sabemos que um ambiente pouco receptivo afeta diretamente nos estudos e no desempenho dos estudantes na sala de aula. Contudo, o problema não se restringe somente ao ambiente escolar.
Conforme Suky Ramalho, o bullying não escolhe escola, condição social, cor ou gênero, ou seja, qualquer pessoa pode, com maior ou menor intensidade, passar por essa situação. Um fator que tem alavancado esta prática nociva nos dias atuais é a influência dos meios eletrônicos. Não à toa um novo termo foi criado para designar o bullying em ambientes virtuais como as redes sociais: o cyberbullying.
“Essa nova modalidade, vem facilitando a propagação e gerando perseguição e humilhação por meio de mensagens ameaçadoras e ofensas nas redes sociais, via mensagem de texto, ou pela divulgação de imagens íntimas, acarretando inúmeros consequências e distúrbios psicológicos as suas vítimas”, afirmou a psicóloga.
Auxiliando a vítima
Mesmo que seja uma obrigação dos pais prestar atenção aos filhos e identificar possíveis sinais do problema, também é dever das escolas prevenir e combater o bullying. Para tanto, existem leis e uma legislação específica que dispõe de medidas eficazes para enfrentar o bullying e trata a criança e adolescente como sujeito de direitos.
“Desta feita, identificar os fatores de risco, realizar o aconselhamento familiar e nas escolas e implantar programas educativos mostram-se fundamentais, atuando igualmente com agressores e agredidos e também na prevenção, intervindo nos espaços onde essa prática é identificada. Além disso, é fundamental que a sociedade reconheça a existência do bullying e do cyberbullying e não subestime a dimensão dos problemas que ambos acarretam”, concluiu a psicóloga Suky Ramalho (foto abaixo).







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