Em 2022 comemoramos o “Centenário da Semana de Arte Moderna”. Um divisor de águas, um marco inaugural do modernismo brasileiro. a Semana de Arte Moderna reuniu músicos, poetas, escritores, artistas plásticos e intelectuais brasileiros em um evento que buscou introduzir tendências de um novo século em todas as expressões culturais brasileiras.

A Arte Moderna é o conjunto de expressões artísticas que surgiu na Europa no Final do século XIX e perdurou até meados do século XX. Ela abrange especialmente a arquitetura, a escultura, a literatura e a pintura.

O resultado da Semana de Arte Moderna aqui no Brasil, foi que a mobilização de tantos artistas representou o marco do Modernismo. Houve uma verdadeira revolução na cultura nacional, já que o jeito de se fazer arte restou profundamente modificado.
Na arte moderna vê-se a influência da Revolução Industrial das máquinas a vapor, do aumento das velocidades, da fotografia, do cinema, do avião, do estudo da mente entre outros elementos que contribuíram para a mudança do pensamento e das atitudes, quando falamos, estudamos a arquitetura nesse período da Semana da Arte Moderna e seus impactos. No inicio do século 20, a arte brasileira, seguindo lado a lado com o Modernismo, tinha como uma de suas questões importantes a identidade nacional, tema muito presente entre os artistas de 1922, ano em que a arquitetura brasileira ainda estava “atrasada” em relação a artes como literatura, música e artes plásticas.

Foi consequência do trabalho dos arquitetos Flávio de Carvalho e Gregori Warchavchik, no final dos anos 20, que o segmento deu seu salto na direção do Modernismo.

E quem foi o arquiteto Gregori Warchavchik? Era de uma cidade chamada Odessa, na Ucrânia, que na época ainda era chamada de Império Russo. Iniciou o curso de Arquitetura na Universidade Nacional de Odessa, mas não chegou a concluir a graduação na instituição. Em 1918, se mudou para Roma, na Itália e lá se matriculou no Regio Istituto Superiore di Belle Art onde deu sequência ao curso de Arquitetura, se formando dois anos depois, em 1920. Chegou em 1923 no Brasil, onde Fixou residência, pois, segundo ele, o movimento modernista que o nosso pais vivenciava após a realização da Semana de 22 era o terreno perfeito para conduzir os seus sonhos e as suas ideias Assim que chegou em São Paulo, começou a trabalhar na Companhia Construtora de Santos, que era dirigida por Roberto Cochrane Simonsen. Essa foi a primeira empresa do ramo da arquitetura a defender um modelo racional nas atividades, seguindo as linhas de organização do fordismo e do taylorismo.

Na capital paulista Warchavchik, passou a frequentar os encontros dos grupos de artistas modernistas. Ele fez amizade com nomes importantes do movimento, como Mário de Andrade, Heitor Villa-Lobos e Anita Malfatti. Em 1925, o arquiteto Warchavchik, escreveu o artigo Acerca da arquitetura moderna, publicado no jornal Correio da Manhã. O texto é considerado um manifesto da arquitetura moderna no Brasil e, até hoje, é objeto de estudo na área dos cursos de arquitetura e Urbanismo.

No manifesto, Warchavchik argumenta que a arquitetura clássica deveria servir apenas para o uso de teorias, como a do equilíbrio e a da proporção. Fora isso, considerava o estilo antigo, inútil e absurdo. Ele defendia que as casas e os prédios são máquinas de morar e, assim como os maquinários das indústrias se desenvolviam, o mesmo deveria ocorrer na construção civil.

Foi nas reuniões com os modernistas que ele conheceu a paisagista Mina Klabin, Filha de um grande líder industrial da elite de São Paulo. Eles começaram a namorar e se casaram em 1927, o que fez com que Warchavchik fosse naturalizado brasileiro. Nos anos seguintes, Gregori Warchavchik seguiu desenvolvendo projetos modernistas, se tornando o pioneiro desse estilo arquitetônico no Brasil. E, no decorrer da carreira, ele fez amizade e teve relações com nomes importantes da arquitetura, como Lúcio Costa, que o convidou para lecionar no curso de Arquitetura da Escola Nacional de Belas Artes em 1931.

Como consequências da Semana de Arte Moderna temos O arquiteto Gregori Warchavchik tão estudado nos cursos de arquitetura e urbanismo, como da Faculdade Santa Teresa, onde é considerado precursor do Modernismo no Brasil autor do primeiro manifesto de arquitetura no Brasil, além da primeira casa modernista no Brasil que hoje é o “Museu Casa Modernista”, localizado na rua Santa Cruz, bairro Vila Mariana, São Paulo

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