Faculdade Santa Teresa realiza intercâmbio internacional com foco em paisagens urbanas conectadas à água

O curso de Arquitetura e Urbanismo da Faculdade Santa Teresa deu início, na última segunda-feira (28), a um projeto de intercâmbio acadêmico internacional com instituições dos Estados Unidos e do Peru. A iniciativa reúne estudantes e professores em atividades colaborativas voltadas ao estudo de paisagens urbanas conectadas às águas — como rios e áreas ribeirinhas a partir de realidades ambientais diversas e contemporâneas.

O projeto conta com a participação de duas arquitetas convidadas: Candelária, argentina que leciona na Faculdade de Arquitetura de Nova York, e Rebeca, norte-americana que desenvolve pesquisas sobre sustentabilidade urbana na Amazônia peruana. Junto aos alunos, elas iniciaram a troca de experiências por meio de uma videoconferência, durante a qual os estudantes da Faculdade Santa Teresa apresentaram registros fotográficos iniciais das paisagens urbanas de Manaus.

“Esse é um primeiro passo para desenvolvermos um projeto internacional que discute a paisagem urbana amazônica em conexão com grandes centros como Nova York. É uma oportunidade de troca, de criação coletiva e de afirmação do nosso lugar de fala dentro do cenário acadêmico global”, destacou a coordenadora do curso, professora Andrezza Barbosa.

Os estudantes são orientados pelo professor Robert Charagão. Como parte das atividades, a turma criou um perfil no Instagram para compartilhar registros visuais da cidade, com a proposta de que os alunos dos Estados Unidos e do Peru também façam o mesmo em seus contextos locais.

A programação internacional seguirá ao longo do ano e será encerrada com uma oficina de desenho urbano durante a Semana de Arquitetura, no segundo semestre, reunindo estudantes dos três países. O projeto também contou com a participação do arquiteto Maurício de Carvalho, referência em arquitetura manauara, que apresentou as principais características do urbanismo local.

Cidades-Esponja: A estratégia de resiliência para enfrentar desastres climáticos

Conversamos com a coordenadora do curso de Arquitetura e Urbanismo da Faculdade Santa Teresa, Arq. Andrezza Barbosa. Ela explicou o conceito de Cidades-Esponja, uma estratégia de resiliência que tem ganhado destaque no Brasil, especialmente nas cidades do Rio de Janeiro e Curitiba, pioneiras nessa abordagem.

A cidade-esponja visa adaptar as áreas urbanas para absorver e reter a água das chuvas, evitando enchentes e danos à infraestrutura. A tragédia no Rio Grande do Sul, causada pelas fortes chuvas e alagamentos, trouxe à tona a importância de implementar soluções urbanísticas que garantam o escoamento natural da água.

“Com as mudanças climáticas, a quantidade e a intensidade das chuvas têm aumentado, tornando o cenário mais crítico. Quando uma cidade não conta com áreas permeáveis, como jardins ou espaços arborizados, ela não consegue absorver essa água de maneira eficiente. Sem essas soluções, a água se acumula, causando alagamentos e danos”, explicou a coordenadora.

No Brasil, pelo menos 1.942 municípios estão sujeitos a desastres climáticos recorrentes, como enchentes e deslizamentos de terra. Esses municípios abrigam cerca de 73% da população brasileira, ou seja, aproximadamente 148,8 milhões de pessoas. A adoção de uma infraestrutura urbana adaptada para esses desafios é urgente.

O conceito de cidade-esponja, criado pelo arquiteto chinês Kongjian Yu, busca justamente mitigar esse cenário, criando áreas urbanas capazes de absorver e reter a água da chuva, evitando tragédias como as que ocorreram no Rio Grande do Sul.

Com essa abordagem, a arquitetura e o urbanismo oferecem soluções concretas para a construção de cidades mais resilientes e preparadas para os desafios das mudanças climáticas.

O objetivo das transformações arquitetônicas e urbanísticas de uma cidade-esponja é absorver as águas da chuva, seja em áreas livres ou construídas. A água captada pode recarregar aquíferos e lençóis freáticos locais, enquanto o excesso escorre para áreas de alagamento controladas, evitando enchentes.

Uma cidade-esponja também funciona como uma floresta, com cobertura vegetal que sequestra carbono, além de proteger e introduzir biodiversidade, criando espaços com árvores e fauna local. Esse modelo traz benefícios para a qualidade de vida, o bem-estar dos moradores e pode atrair empresas voltadas para a economia verde e criativa.