Alunos de Arquitetura da Faculdade Santa Teresa realizam imersão técnica no EcoResort Cirandeira Bella

Na última segunda-feira (2), estudantes do 3º, 5º e 7º período do curso de Arquitetura e Urbanismo da Faculdade Santa Teresa participaram de uma visita técnica ao EcoResort Cirandeira Bella. A atividade fez parte da disciplina prática do curso e teve como foco a aplicação real de conceitos sustentáveis e regionais na arquitetura.

Durante a imersão, os alunos puderam observar de perto projetos desenvolvidos pelo arquiteto e urbanista Marcelo Borborema, que unem princípios de sustentabilidade, arquitetura vernacular, conforto térmico, paisagismo e responsabilidade ética. A vivência contribuiu para o aprofundamento dos conteúdos trabalhados em sala de aula, aproximando os acadêmicos da realidade profissional.

A ação foi conduzida pela coordenadora do curso, professora Andrezza Barbosa, e pelos docentes Roberth Aragão e Cláudia Moraes, que acompanharam os estudantes em uma jornada de aprendizado enriquecedora, voltada à valorização da arquitetura amazônica e suas soluções construtivas alinhadas ao meio ambiente.

Ao final da atividade, a coordenadora destacou a importância da vivência prática para a formação dos futuros profissionais:

“Esse tipo de imersão é fundamental para que os alunos compreendam, de forma concreta, como os princípios da sustentabilidade e da arquitetura regional se aplicam nos projetos reais. É onde a teoria ganha vida e o conhecimento se torna experiência”, afirmou a coordenadora do curso Andrezza Barbosa.

 

Cidades-Esponja: A estratégia de resiliência para enfrentar desastres climáticos

Conversamos com a coordenadora do curso de Arquitetura e Urbanismo da Faculdade Santa Teresa, Arq. Andrezza Barbosa. Ela explicou o conceito de Cidades-Esponja, uma estratégia de resiliência que tem ganhado destaque no Brasil, especialmente nas cidades do Rio de Janeiro e Curitiba, pioneiras nessa abordagem.

A cidade-esponja visa adaptar as áreas urbanas para absorver e reter a água das chuvas, evitando enchentes e danos à infraestrutura. A tragédia no Rio Grande do Sul, causada pelas fortes chuvas e alagamentos, trouxe à tona a importância de implementar soluções urbanísticas que garantam o escoamento natural da água.

“Com as mudanças climáticas, a quantidade e a intensidade das chuvas têm aumentado, tornando o cenário mais crítico. Quando uma cidade não conta com áreas permeáveis, como jardins ou espaços arborizados, ela não consegue absorver essa água de maneira eficiente. Sem essas soluções, a água se acumula, causando alagamentos e danos”, explicou a coordenadora.

No Brasil, pelo menos 1.942 municípios estão sujeitos a desastres climáticos recorrentes, como enchentes e deslizamentos de terra. Esses municípios abrigam cerca de 73% da população brasileira, ou seja, aproximadamente 148,8 milhões de pessoas. A adoção de uma infraestrutura urbana adaptada para esses desafios é urgente.

O conceito de cidade-esponja, criado pelo arquiteto chinês Kongjian Yu, busca justamente mitigar esse cenário, criando áreas urbanas capazes de absorver e reter a água da chuva, evitando tragédias como as que ocorreram no Rio Grande do Sul.

Com essa abordagem, a arquitetura e o urbanismo oferecem soluções concretas para a construção de cidades mais resilientes e preparadas para os desafios das mudanças climáticas.

O objetivo das transformações arquitetônicas e urbanísticas de uma cidade-esponja é absorver as águas da chuva, seja em áreas livres ou construídas. A água captada pode recarregar aquíferos e lençóis freáticos locais, enquanto o excesso escorre para áreas de alagamento controladas, evitando enchentes.

Uma cidade-esponja também funciona como uma floresta, com cobertura vegetal que sequestra carbono, além de proteger e introduzir biodiversidade, criando espaços com árvores e fauna local. Esse modelo traz benefícios para a qualidade de vida, o bem-estar dos moradores e pode atrair empresas voltadas para a economia verde e criativa.

 

Arquitetura Bioclimática: O futuro sustentável que os acadêmicos da Faculdade Santa Teresa já estão construindo

Os acadêmicos do curso de Arquitetura e Urbanismo da Faculdade Santa Teresa participaram de uma aula especial sobre arquitetura bioclimática, um conceito essencial para a adequação dos projetos ao clima local. O estudo da trajetória solar, da direção dos ventos e da escolha dos materiais que proporcionam conforto térmico de forma passiva são aspectos fundamentais para reduzir a pegada de carbono e promover construções mais sustentáveis.

A crescente adoção de práticas sustentáveis no setor da construção civil reflete uma nova era na arquitetura. Em Manaus, por exemplo, novos empreendimentos já incorporam soluções baseadas em eficiência energética e uso de fontes renováveis, como a energia solar.

De acordo com dados de 2020 do United States Green Building Council (USGBC), criador do sistema de certificação LEED (Liderança em Energia e Design Ambiental), o Brasil ocupa a 5ª posição entre 180 países no ranking mundial de sustentabilidade. Atualmente, o país possui mais de 1.500 construções sustentáveis – 641 já registradas e cerca de 50 milhões de metros quadrados em processo de certificação pelo GBC Brasil Condomínio.

A coordenadora do curso, Arq. Andrezza Barbosa, formada pela Universidade Federal do Pará e mestranda em Engenharia Civil na Universidade Federal do Amazonas, destacou que os princípios da arquitetura bioclimática são antigos, remontando às civilizações grega e romana, que já consideram fatores como a orientação solar e a ventilação natural em seus projetos. No entanto, com o avanço das mudanças climáticas, a aplicação dessas técnicas se tornou ainda mais urgente, especialmente na região amazônica.

“Essa é uma questão emergente e necessária. Por isso, nossos alunos estudam esses fundamentos desde o terceiro período do curso, garantindo que os futuros projetos tenham qualidade ambiental. Além de um espaço arquitetônico bem planejado, o impacto positivo dessas construções será sentido em toda a cidade”, enfatizou a arquiteta.